quinta-feira, 12 de abril de 2007

Recomeços


Frágeis dedos manejam a espada mordaz
que derrama no poema palavras esquecidas,
amortecidas pelo choque, pelo sentimento torpe
da verdade que se esvai,
como o faz o sangue dos punhos cortados.

E a angústia goteja da boca rachada, entreaberta,
as lágrimas umedecendo a pena decidida
que tece a mais fina caligrafia disforme
nas folhas secas que caem
Sonhos que jazem sobre versos sussurrados...

Eterno outono purgado...
Recomeço esperado.

Eu olhei dentro dos olhos no espelho
e encarei o vazio, ardil de emoções reprimidas
que se dissolveram em fantasias incontadas

Eu encarei o belo por trás do feio
e corri mais que o rio ao encontro do mar,
para então me confundir à todas as outras desilusões lançadas

Eterno oceano não navegado...
Suicídio disfarçado.

E mesmo com o vasto horizonte à frente,
trágico, imediato, emocionante, indiferente,
o chamado de volta à fonte é irresistível,
inegável, infrutífero, confortável, irreversível.

Recomeços que inspiram à pena o espírito viril da nova luta,
reconquista de tudo o que está por perder-se novamente...
e assim batalho contra meu maior inimigo,
meu próprio self ciumento, infantil, de imaginação astuta
que me projeta sempre em uma nova busca,
sem nunca conquistar o prêmio da jornada anterior,
o verdadeiro sentido da vida, o Amor.


FAb - 12/04/2007

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