domingo, 1 de abril de 2007

Circunstâncias

Às vezes as circunstâncias parecem "nos contar" emcontos;
Nos expõe numa vitrine fria de uma rua sem movimento
E ainda espera que alguém interessante passe pra nosapreciar.
Só que às vezes o príncipe não vem em seu cavalobranco,
Tampouco a bela desperta de seu sono, convenienteencantamento.
Algumas vezes não há o que ser visto, tampoucoapreciado.
Outras vezes há em que a aurora chega disfarçada detediosa tarde
E a vitrine se cobre, como se nenhuma luz vibrante apudesse tocar.
Então o sono se prolonga e nos escondemos atrás do véude escuridão
Nós mesmos criamos…
Que luz fulgurante será capaz de atravessar a noiteque escolhemos como lar?
Às vezes a vida parece nos declamar em falsa poesia,
Versos rebuscados de um tempo em que respirávamos semfalsas esperanças;
Tempos em que apenas sonhávamos alto, e isso bastavapara que pudéssemos voar.
Mas novamente as circunstâncias maculam nossos versos
E usamos a poesia para ferir com pétalas de rosas opobre príncipe
Que veio despertar a bela de seu fastidioso sonoconveniente…
E acaba não importando mais se a luz vem radiante logoà frente,
A escuridão é fria, mas é mais segura, e quanto aosono…
Antes a mesmice de sonhar, ao perigo de despertar eviver algo real,
Trágico, palpável e ainda assim irresistível…
Que luz libertadora será capaz que interromper a circunstância que chamamos tangível?

carvaggian - agosto de 2004

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